Pra quem tem mais que 30 anos, fica fácil lembrar deste refrigerante popular nos anos 80, mas o que quero falar hoje é sobre outro Gini, um índice que mede a distribuição de renda num país. Tradicionalmente, este é um dos 4 métodos usados. Os demais são o coeficiente Theil-T, a razão da renda entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres e a razão da renda entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres.
O Brasil, tradiciionalmente, tem sido um dos piores países nestes índices (a saber, em números de uma década atrás, éramos O pior em 3 deles e o antepenúltimo justamente no Gini, à frente apenas da África do Sul e da Moldávia).
O índice Gini varia de 0 a 1, onde 1 é a pior distribuição possível e vice-versa. Chegamos a bater na casa de 0,60, mas este número tem caído nos últimos anos, e hoje foi divulgado um recuo para 0,50, o que traduzindo em termos práticos coloca os ricos ganhando até 23 vezes mais que os pobres.

Este absurdo, não precisa pensar muito, tem raízes históricas, da forma como nosso país se formou e cresceu. Sendo uma colônia, vivendo depois pelos tempos de império e depois numa república que jamais se consolidou como uma democracia de fato, o que vemos associado a estes números é uma classe política sempre ligada às elites, muita vezes grandes empresários e ruralistas sendo os próprios políticos e defendendo seus interesses.

Um índice Gini possui um desvio cognitivo, pois mede a desigualdade da distribuição, mas não o nível de renda. Assim, países pobres podem ter um melhor Gini que países ricos, caso a distribuição de sua pouca renda seja mais igualitária.
O Brasil ainda tem índices vergonhosos de pessoas subnutridas, analfabetas, mortalidade infantil e distribuição de renda, mas é muito bom ver que, ainda que timidamente, o movimento tem sido no sentido contrário. É ilusório achar que em breve estaremos num patamar de desenvolvimento e justiça social como se deseja, o mundo infelizmente não é assim. Mas cada um fazendo sua parte, poderemos crescer muito com isso enquanto nação e em qualidade de vida para todos.




