Fico impressionado com a falta de criatividade dos aspirantes a políticos, ou mesmo dos que tentam se reeleger.
Todo ano de eleições somos brindados com o que há de mais grotesco na arte de tentar nos persuadir a votar neste ou naquele candidato.
Vou tentar dividir algumas destas pérolas e em como as pessoas deveriam observar com maior cuidado.
Candidato que lê o texto – será mesmo que uma pessoa incapaz de decorar 15 segundos de fala é preparada para tomar decisões importantes pela sua cidade? Pior: ainda lê de uma forma tão anti-natural e robotizada que dá certeza que o texto sequer foi de sua elaboração. Argh!
Candidato regionalizado – outro vício comum é ver candidatos que dizem: “alô, povo de [nome-do-bairro-ou-cidade] e região, vou lutar por…”. Bem será que esta criatura pensa em fazer alguma coisa em benefício de quem não é desta localidade? Fuja destes!
Decoreba do número – por vezes, recorrem ao suspiro do que o tempo lhes permite para jogar as cartas numa frasezinha de efeito. Coisas como “vote 4142, o número do seu sapato”, ou “pra melhorar a vida de vocês, vote Ademir 45016″. Isto é realmente o melhor mesmo que dá pra se pensar no parco tempo disponível?
Chavões repetitivos – semana passada vi num programa de propaganda um candidato falar em 15 segundos que “se você está cansado de ver os candidatos falando sempre a mesma coisa, pense em renovação, etc, etc, etc.” Imediatamente após o término, esta propaganda se repetiu. E depois mais uma vez. Talvez ele não soubesse, mas ele virou vítima de sua própria bandeira de ser repetitivo.
Candidato da classe – será que o candidato dos taxistas, ou o candidato dos perueiros, ou o candidato dos dogueiros tem alguma idéia além das da própria classe que defendem em termos de propostas? E se você for de uma destas classes, acha mesmo que algum projeto mirabolante na sua área pode emplacar desta forma? Olha, a não ser que você (e seu candidato) sejam ruralistas, tá difícil, viu?
E pra quem acha que a culpa é dos marqueteiros, pare pra pensar: quem é o candidato, afinal? Se ele paga uma pessoa para o vender pior ainda do que é, o azar (e a culpa) são dele, não de nós que não votaremos nele.
Procure um bom candidato, ainda dá tempo. Cobre coisas dele, verifique o que ele está propondo de verdade (a gente no final acaba sempre indo atrás de um amigo que sugere alguém e diz que fez este trabalho de checar se a pessoa presta). Seja você o amigo desta vez, para não ter que assistir propagandas de mulheres que andam em círculos, ou moscas que zunem no ouvido ou mesmo pessoas que choram com ringtone de Pour Elise.




