Assisti, neste sábado, a uma parte da abertura dos Jogos Paraolímpicos. Esta cena da foto foi muito emocionante, próxima do momento do acendimento da pira olímpica, onde atletas com diferentes deficiências fizeram uma espécie de prova de revezamento (na foto um atleta com uma prótese na perna faz a passagem da tocha para uma atleta deficiente visual levada por um cão guia). Isso faz pensar o quanto o esporte é realmente superação, talvez aqui escancarada da forma mais ousada e real, despida ainda que timidamente do mundo bilionário dos esportes.
Apesar de os prognósticos e o histórico mostrarem que o desempenho do Brasil nas paraolimpíadas costumam ser superiores que os das olimpíadas (estamos em sétimo lugar ao fim deste terceiro dia da competição – alguém sabia disso?), a máquina que faz a roda girar em termos de transmissão (Globo) e anunciantes não parece muito bem azeitada.
Simplesmente uma cobertura baseada com chamadas em telejornais para citar que “o Brasil ganhou mais n medalhas” é o que temos. Ficamos sem as imagens, sem a possibilidade de torcida, sem sequer tomar muito conhecimento de quem são os atletas, de como é este mundo tão distante do conhecimento popular. Basta dizer que em três dias já ganhamos as mesmas 3 medalhas de ouro das olimpíadas todas (Cielo, Maggi, Voleibol feminino). Alguém supõe que estes atletas e os que ainda ganharão ouro chegarão aqui como heróis nacionais?
Tentei pesquisar sites de notícias de outros países, e vejo que não chega a ser um fato isolado no Brasil não. A cobertura perde incrivelmente força em todo o mundo.
Fica a impressão de um certo vazio, já que o sentido de promover tal tipo de competição recai em qualidade de vida, inclusão social e valores mais elevados de igualdade e ausência de preconceitos. Hoje, a ênfase do espírito paraolímpico já é muito mais a própria conquista dos resultados esportivos do que uma das seis deficiências que credenciam os atletas.
Idealizada no fim dos anos 40 como uma forma de trazer conforto aos mutilados pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, este tipo de competição só cresceu com o passar dos anos, e desde os Jogos de Seul, em 1988, os jogos são atrelados às Olimpíadas, tendo mesma sede e usando a mesma estrutura.
Num mundo onde as marcas estão aonde o povo está, ainda que com patrocinadores oficiais conhecidos, talvez falte ainda coragem para anunciantes e principalmente da mídia – que privilegia audiência em detrimento de qualidade – entenderem o espírito de enxergar o que não se vê, assim como fazem os atletas paraolímpicos.





Savio,
eu acho impressionante o desequlíbrio de tratamento da mídia a este tema com relação ‘as Olímpiadas.
Não é um tema fácil de se tratar, é necessário evitar o tratamento piegas, mas a forma como é ignorado é impressionante.
Você escreveu tudo o que eu pensava sobre este assunto! Just perfect!
Fico indignada com a forma que a mídia ignora as paro olimpíadas. Já se sabe que a mídia transmite o que gera mais lucro e que trata o esporte como mercadoria, mas é um desrespeito desqualificar estes atletas que conhecem o verdadeiro sentido do esporte, que é superação e melhor qualidade de vida.