Fato 1 – O Greenpeace lutou muito e obteve de forma suada uma importante conquista no começo deste ano, em exigir que fosse cumprida a lei que obriga os fabricantes de produtos contendo ingredientes de origem transgênica (geneticamente modificados) a rotularem os produtos com uma marcação, de forma que o consumidor soubesse aquilo que estava comprando e consumindo. Foram necessárias diversas manifestações públicas durante anos para que as autoridades enfim percebessem que se a lei existe, é porque havia uma razão para isso. Ainda assim, apenas uma ou duas marcas que foram obrigadas pela justiça a cumprir a lei, mas dezenas de outras estão ainda por aí sem que se identifique a presença de transgênicos.
Fato 2 – A ANVISA divulgou (vi uma matéria no Bom Dia Brasil de hoje) algo que é de uma gravidade enorme: ao fazer uma operação de medição nos níveis de gorduras trans e outras substâncias em diversos produtos das marcas mais conhecidas e consumidas, constatou que cerca de 40% declaram um nível bem diferente do que o rótulo diz.
Ou seja, NÃO PODEMOS MAIS ACREDITAR NO QUE AS EMBALAGENS AFIRMAM CONTER. Ou refraseando: AINDA QUE SE CUMPRA A LEI COM MUITO CUSTO, ELA NÃO ESTÁ SENDO CUMPRIDA DE ACORDO.
A indústria alimentícia tem dado amostras, já há bastante tempo, que o que vale é conseguir reduzir a quantidade de ingredientes mais caros, ganhando frações de centavos que resultam em muito dinheiro em larga escala de vendas. Para isso, não importa se usam a gordura trans, que sabidamente causa a morte de milhares de pessoas todos os anos ou produtos transgênicos, onde somos cobaias de variedades de milho e soja que sabidamente fazem mal e foram banidas em diversos países. Se a legislação do país permite, simplesmente adotam e pronto, que se dane a nossa saúde. Praticamente tudo o que se vê no mercado está em constante alteração de ingredientes com este objetivo. As quantidades das embalagens também são alvo de sucessivas alterações, que dificultam muito o consumidor de poder comparar que produto realmente custa mais que outro. Isto ao mesmo tempo ilude que estamos comprando um alimento sempre com o mesmo preço, livre de inflação, mas por outro lado temos que comprar mais vezes e silenciosamente não percebemos. Alguns chocolates, por exemplo, eram padronizados em 200g. Hoje existem embalagens com 180g, 170g e 160g. Os diâmetros dos biscoitos estão nitidamente menores. Enfim, exemplos aqui é o que mais vai existir e todos nós que vamos ao supermercado sabemos disso.
Em outros países, por vezes os consumidores organizam boicotes com sucesso, mas não parece ser algo fácil de se organizar num país de dimensões como o Brasil, mesmo porque a ANVISA sequer divulgou quais são estes produtos. A saída é parodiar o General Jorge Armando Félix no recente caso da CPI dos grampos, “Tecnologia antigrampo zero trans, a única efetivamente eficaz, seria não abrir a boca”.




