Quando vejo a forma como as coisas evoluem em relação à implementação de mais uma usina nuclear no Brasil (Angra 3), bate uma impressão de que é um terreno que circula tanto dinheiro, que simplesmente fica quase impossível tentar lutar contra.
Já foi provado por A + B que energia renovável (eólica, solar, biomassa) tem grandes vantagens sobre a nuclear. Com o mesmo investimento (falam em 8 bilhões de reais, mas especula-se que seja mais do que isso), seria obtida uma energia muito maior e empregaria muito mais pessoas. Isso já é uma realidade em várias regiões do mundo, não é à toa que vários países estão deixando a opção nuclear de lado. Isso sem falar dos grandes problemas que rondam a questão nuclear: a possibilidade de utilização da tecnologia para fins não pacíficos (ou seja: bomba nuclear, não é à toa que tantos países já a tenham) e a destinação do lixo atômico, que absolutamente não possui uma solução técnica viável e vai se tornando uma questão de grande perigo para todos. Vale dizer também sobre a tecnologia ser ultrapassada em relação às renováveis. Usinas que custam bilhões de dólares acabam gerando pouca energia para o país (apenas 2%, no Brasil).
Existem ainda outras questões que não podem ser ignoradas:
- diferente do que se prega por aí, a energia nuclear não é opção contra o aquecimento global. Já foi provado que a quantidade de usinas necessárias pra efetivamente fazer diferença seria imensa (e ainda assim comparando com termoelétricas a carvão, não com renováveis). Se hoje o mundo possui um potencial energético nuclear pra destruir o planeta inteiro, acho que nessa opção daria pra destruir a via láctea toda.
- no Brasil, o órgão que promove a utilização desta energia, o CNEN, é o mesmo que fiscaliza. Isto dá margem para que a fiscalização não seja eficaz ou mesmo confiável.
- o transporte de urânio de regiões como Bahia, Ceará e Minas Gerais é feito por rodovias, muitas vezes sem uma fiscalização efetiva. Você pode estar dirigindo na Via Dutra sem saber o perigo que o caminhão ao lado pode levar.
- os custos colocados no cálculo da construção das usinas é feito de forma errada: as usinas possuem uma vida útil de cerca de 50 anos, quando então precisam ser descomissionadas (desmontadas e todo o material retirado de circulação). É um valor bem alto, ninguém sabe ao certo a quanto pode chegar. Pode chegar a bilhões de reais, baseado em estudos que tentam medir este valor em outros países.
- outra conta controversa: parte desta energia é subsidiada pelo governo, assim fica um cálculo ainda mais injusto para se saber o real custo/benefício da energia.
- a Eletronuclear, empresa que faz a distribuição da energia, é presidida por um militar, o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, que já demonstrou no passado interesse em que o Brasil tivesse um programa nuclear militar.
- parte da usina de Angra 3 utilizará equipamentos que já tinham sido obtidos na década de 80 e tem sido feita a manutenção anual (a um custo de 50 milhões de reais anuais). Será que vai ser mesmo seguro colocar uma peça com mais de 20 anos de idade? Isso já consumiu mais de 900 milhões de reais desde que foi adquirido.
Pois com tudo isso foi aprovada em julho último a construção da usina de Angra 3, ainda com possibilidade de que outras sejam instaladas depois em outros estados. Tem ou não algo muito estranho nisso tudo?
Em tempo: vou colar alguns links de referência para mais informações sobre o assunto, por solicitação de alguns leitores:
http://www.greenpeace.org/brasil/energia/noticias/investimentos-em-energia-renov
http://www.greenpeace.org/brasil/energia/noticias/ventos-e-sol-podem-garantir-en
http://www.greenpeace.org/brasil/energia/noticias/relat-rio-aponta-caminho-da-su
http://infoener.iee.usp.br/infoener/hemeroteca/imagens/71793.htm





Calma pessoal, podemos “relaxar” pois outra usina, movida a fusão nuclear, está começando a ser construída na França, consorciada por vários e vários países, ao custo de 3 Aceleradores de Partícula. Ou seja, Truco 12, ou inventam em 10 anos a tecnologia para usinas a base de mini-estrelas capazes de gerar incalculável energia (sistema baseado no que acontece dentro do sol), ou detonam com tudo de uma vez em nome da ciência. Pensamento positivo balanceado com ironia hecatúmula é tolerante?
VOCÊ DIZ QUE:
1) Já foi provado por A + B que energia renovável (eólica, solar, biomassa) tem grandes vantagens sobre a nuclear…
2) não é à toa que vários países estão deixando a opção nuclear de lado…
3) – o transporte de urânio de regiões como Bahia, Ceará e Minas Gerais é feito por rodovias, muitas vezes sem uma fiscalização efetiva…
4) o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, que já demonstrou no passado interesse em que o Brasil tivesse um programa nuclear militar…
e 5) diz mais alguma coisas…
olha meu amigo, queria entender se reproduzir preconceitos é alguma nova forma de tolerância?
suas informações são do greenpeace que já virou outra coisa, não é mais o greenpeace… até mesmo porque ninguém entende como o atual greenpeace ataca os combustíveis minerais sem atacar os fósseis… ou mesmo as hidrelétricas que fizeram desaparecer grandes áreas verdes… isso é um total contrasenso…
a questão energética não pode ser enfrentada sem o entendimento que o planeta é caótico na sua realidade, caótico e esgotável em seus recursos, o planeta tb envelhece e perde vitalidade com a ação do tempo, alguma dúvida? não se trata de defender essa ou aquela energia, mas entender que a realidade impõe a produção de energia em larga escala, infelizmente nada aqui é eterno, nem mesmo esse planeta improvisado…
a california tentou de todas as formas apelar para esses chamados recursos naturais…
inclusive Patrick Moore, um dos fundadores do Greenpeace, é hoje um dos principais defensores da energia nuclear.
outro ponto não há transporte de urânio nas estradas cearenses até mesmo porque não abriram a mina de santa quitéria para a exploração…
outro ponto é que não significa nada dizer que o almirante defende o uso militar… quando inventaram o avião qual era a finalidade do mesmo?
Olá, Norton.
espero que possa ler minha resposta. Você enumerou alguns pontos meus mas acabou não os respondendo. Eu vi muito preconceito nas suas palavras contra o Greenpeace. Neste blog eu expresso a minha opinião acerca do que não tolero. Não tolero energia suja, perigosa, que atende a interesses econômicos de poucos e bota a vida das pessoas em risco quando existem opções melhores e mais baratas.
Meus comentários sobre o que escreveu:
1) o Greenpeace é sim o Greenpeace. Vivi de perto nesta organização por um bom tempo e sei onde existe argumento pra tudo o que é afirmado.
2) o Greenpeace não é a favor dos combustíveis fósseis, NEM DOS MINERAIS (que pelo o que entendo, você está falando de hidroelétricas, certo?). Esta organização defende a energia RENOVÁVEL, que NÃO ESGOTA os recursos do planeta, pois o nome diz tudo: renovável. Assim, é possível ter energia em larga escala sem acabar com o planeta.
3) Patrick Moore foi membro, e não fundador do Greenpeace, nos anos 70. Moore é financiado por empresas que obviamente a favor da indústria nuclear e transgênica, assim, sua voz é a de alguém que tem o rabo preso com quem bota comida no prato dele. O Greenpeace não aceita dinheiro de empresas, governos e partidos políticos.
4) Quando falei do transporte de urânio, estava me referindo ao da Bahia, que sabidamente é transportado por rodovia. Se dei a impressão de que isso valia para o Ceará (onde vivo) estou me retratando agora.
5) A finalidade do avião era militar mesmo, e foi aproveitada pra um uso comercial, o de transporte. O que uma energia perigosa, cancerígena e que deixa resíduos pode ser útil para o cidadão comum?