
Forrest e Bubba ficariam desapontados...
Às vezes a ignorância pode deixar a gente menos frustrado, mas o propósito deste blog é justamente trazer à tona aquilo que se pratica de errado por aí.
Quem me conhece, sabe que sou um semi-vegetariano: não consumo carnes de bovinos, aves e suínos. Por uma questão de saúde e também ecológica. Vou guardar confabulações destes motivos para outros posts, estou sempre falando de algo relacionado a isso por aqui. Voltando: sendo eu desta forma, eu “desconto” meu consumo de carnes em peixes e frutos do mar. Mesmo sabendo que de alguma forma desconhecida isso poderia ferir algum mesmo princípio que eu tenha com as demais carnes, talvez eu não tenha mesmo é a vocação de deixar de comer estas carnes.
Só que minha ignorância quanto ao meu voraz apetite por camarões acaba de desmoronar. A Lelê, amicíssima minha do Greenpeace esteve aqui em Fortaleza fazendo preparativos ao Open Boat que acontecerá nos dias 7 e 8 de fevereiro, e ela me contou sobre seu trabalho junto a restaurantes e supermercados locais e sobre carcinicultura, que é a prática do “cultivo” de camarões em detrimento da pesca dos mesmos. Eu já sabia desta prática, só não sabia que era tão generalizada a um ponto onde os próprios pescadores já nem pescam mais o camarão: compensa economicamente para eles serem atravessadores entre os carcinicultores e a população. Até aí, também achei que poderia conviver com a idéia de que o camarão que como não veio do mar, ainda que com um certo contragosto.
Mas isso porque eu nunca soube o impacto que a carcinicultura tem sobre as regiões de mangue. Este impacto não é pequeno, dado o crescimento exponencial que houve nos últimos 5 anos, de modo praticamente impossível de se garantir a sustentabilidade desta atividade. A esmagadora maior parte da produção tem o mercado internacional como destino.
Do que pesquisei e do que ouvi da Leandra, descobri que o “vazamento” de uma espécie que não é nativa daquele mangue pode desequilibrar o ecossistema local; que a retirada da vegetação de forma agressiva não permite sua regeneração posterior; que os viveiros contaminam as águas com fungicidas; acima de tudo, que impacta as famílias que sobrevivem dos recursos do mangue e dele tiram seu sustento. Ao menos aqui no Ceará, os índices de empresas que causou impactos aos manguezais supera os 84%, fora outros índices não menos vergonhosos.
Não vou deixar de comer camarão por isso, mas é uma pena de saber como as coisas acontecem. É aquela sensação em primeiro lugar de estar sendo enganado, já que é consenso achar que os camarões dos pescadores são efetivamente pescados no mar.
Gostaria de debater o tema com quem souber mais sobre isso ou que simplesmente queira botar alguma idéia em prática. O conhecimento é nossa maior segurança e também a melhor forma de podermos reivindicar aquilo que acreditamos e queremos. Principalmente aos amantes de camarão como eu.





Interessante seu comentário sobre ser vegetariano por problemas ecológicos, nunca havia pensado por este lado.
visitem meu blog: http://agrj.wordpress.com e se gostarem, divulguem ou coloquem em sua lista!!
[]s
Dinho
muito legal, sávio….
que pena que eu ainda não te convenci em parar de consumir o camarão…que está destruindo as nossas praias. E agora, mais ainda a sua praia… rsrsrs
beijos e valeu por tudo em fortaleza…maravilhoso
lele
Caro colega Sávio,
por acaso a chamada que você utilizou para este post, fez eu dedicar parte do meu tempo para leitura, reflexão e discussão do tema.
Como você mesmo diz… “o conhecimento é nossa maior segurança…”; concordo em partes com esta afirmação, pois em minha percepção, mesmo diante do conhecimento de determindos fenômenos, a grande maioria das pessoas acabam optando por não assumir uma mudança de atitude e acabam privilegiando a comodidade (que é a inércia da ação transformadora). Entendo que conhecimento talvez seja o resultado de maior faculdade da capacidade humana. a Inteligência. (que seria uma expressão de percepção-sentido-afeto).
Mas voltando ao assunto, que é bastante relevante, sobre a questão do impacto ambiental, relacionado ao tipo de dieta que se adota para viver.
Um grande pensador, (marginalizado pela força e radicalidade de suas idéias) diz o seguinte:
“Eu não tenho dúvidas de que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais.” – Henry David Thoreau.
Para os que não o conhecem, este autor escreveu o livro “A Desobediência Civil”, que inspirou o Gandhi em sua jornada de vida marcada por posições éticas e políticas em um sentido mais amplo, a ter certas atitudes radicais (para os que não gostam desse termo, faço apenas um lembrete, radical na língua grega, gênese de grande parte do vocabulário ocidental, queria dizer raiz, ou seja, uma atitude radical, no sentido estrito do termo, é aquela que é profunda, vai na origem da questão – sem desviar muito mais do assunto, retomo).
Deixo aqui a indicação de um nome de um autor para aqueles que quiserem apronfundar o conhecimento deste assunto, quem de certa maneira possuí algum acúmulo sobre a temática, sem que isto de forma nenhuma, traga qualquer prejuizo para o diálogo mediado por este blog;
- Márcio Bontempo e sua obra “Alimentação para um novo mundo”.
E por fim um site também com essa proposta. http://www.sejavegetariano.com.br/
Aproveito também para saudar minha colega Lele, do post acima.
beijos e abraços a todos!
Savio, pare de comer camarão, rapaz! Está na Biblia! hehehe
http://www.godhatesshrimp.com/
Abraço de um velho amigo!
Luiz Morikio
Oi Sávio,
Tenho acompanhado seu trabalho e é interessante ver os comentários a respeito de comer ou não comer carne, porco, frango ou agora camarão por gerar problemas ecológicos.
Mas vocês já pararam para pensar nos problemas que as plantações criam?? Muitas vezes degradam o solo, enviam herbicidas para os rios, desmatam nossas florestas.
Enfim, para que todos apenas comam verdurinhas de seu quintal teríamos que voltar aos tempos de agricultura de subsistência, e para isso haja espaço para todos, geraremos outros problemas…
Outra opção seria ficar sem comer como a única solução para não agredir o ambiente. Alguém quer criar um movimento desse?
um abraço,
Silvia
Oi, Sílvia, tudo bem?
acho que a questão de comer ou não as carnes (pessoalmente) não passam apenas pelo lado ecológico, mas também aos maus tratos aos quais os animais são submetidos.
É evidente que a agricultura é também um problema ecológico em si pela questão de agrotóxicos, mas veja: é para alimentar mais de 200 milhões de cabeças de gado no Brasil (mais do que temos de pessoas) que a soja é plantada em regiões de floresta Amazônica. Grande parte do desmatamento da amazônia não é pela madeira, mas pela área de pecuária, ou soja pra alimentar bois. A comida que compramos na feira não é plantada na amazônia.
No caso do camarão, se “existe” a possibilidade da pesca, eu não me incomodaria em pagar um pouco a mais pra ter um camarão pescado naturalmente que não expulsou nenhuma família de sua casa pra chegar no meu prato.
Nâo acho certo que uma empresa use quantidades absurdas de hormônios em aves para que, por exemplo, um frango cresça do ovo para o abate em apenas 51 dias só para aumentar seus lucros em detrimento da saúde humana.
Acho que se os níveis de consumo não forem pensados de forma sustentável, as futuras gerações passarão por privações incríveis em relação à comida.