Tem coisas na vida que o acaso nos faz ficar distantes da reflexão. Minha relação com a carteira de habilitação certamente foi uma delas… até hoje.
Já desde criança, e até hoje, eu ouço que as pessoas (muitas delas) compram a habilitação. Infelizmente isso chega a ser motivo de orgulho de quem faz. Só se esquecem que ao alimentar essa atitude, estamos armando o trânsito louco com pessoas completamente incapacitadas, e temo em tentar supor quantas pessoas já não morreram por aí apenas devido à imperícia de condutores mal-habilitados.
Ao tirar minha carteira com 18 anos em São Paulo, em setembro de 88, eu fiz parte de um eclipse daqueles que ocorrem uma vez a cada 100 anos:
1) por um brevíssimo período, o exame prático da época não tinha, sei lá por qual razão, o temido ‘teste de baliza’(*).
2) sem pedir nada, minha habilitação veio como categoria C, o que me habilita a dirigir veículos como ônibus e caminhões até uma determinada carga, sem jamais ter treinado pra isso (**).
3) Na época a renovação não era de 5 em 5 anos, mas a primeira vez se daria apenas quando a pessoa completasse entre 39 e 40 anos de idade (***)
(*) Por conta própria eu treinei exaustivamente na semana seguinte baliza com meus amigos, e ao menos disso ficou uma boa habilidade em estacionar um carro em vagas apertadas.
(**) Aprendi depois e tive a oportunidade de colocar em prática em raras ocasiões.
(***) Que era o meu caso, nesta primeira renovação de hoje, mais de 20 anos após tirar minha habilitação.
Pois bem, ao fazer parte hoje deste processo de renovação, em Fortaleza, tive que fazer uma prova em forma de testes sobre direção defensiva e pronto socorro, o que sempre achei legítimo quando ouvi falar que havia sido instaurado. (não existia na minha época, lembram?)
O fato é que a prova é um desafio pífio à inteligência humana, com questões altamente básicas e mal formuladas, que fizeram com que eu saísse do DETRAN com muito mais medo dos motoristas que circulam por aí do que eu tinha antes.
Vou citar apenas um exemplo, algo como:
Ao dirigir, você deve concentrar a sua atenção:
a) apenas para a frente
b) para a frente e para a direita
c) apenas para a esquerda
d) em todas as direções
… pra não citar coisas que desafiam o bom senso e jamais a lógica. Acertei as 30 questões, mas será que quem errou 5 ou 6 (nota de corte é 21) tem mesmo condições de enfrentar esse mundão aí fora?
Alô Brasil, será que é só aqui que este teste é assim ‘pra cumprir tabela’?






Sávio, estou tirando minha carta agora e frequentando enfadonhas aulas durante nove dias. Sinto que não aprendi nada, que os testes são para a pré-escola e que talvez eu ainda tenha que guardar uma grana para “agradar” o cara que vai me avaliar no teste prático. Já me contaram que sem escorregar uma verdinha, não passa mesmo.
Triste. Eu só queria aprender de verdade a dirigir.
bjs!
Oi, Dani, tudo bem?
É claro que ninguém sai de uma auto-escola com a maior habilidade do mundo, e muito acaba vindo com a experiência mesmo, principalmente nos primeiros meses, que dão maior segurança. Tirar um final de semana e dar umas voltas para pegar dicas com algum amigo (a) que dirige bem pode valer mais de 200 aulas de auto-escola.
Agora isso de ter que molhar a mão dos avaliadores é muito descarado e generalizado. Aqui em Fortaleza o padrão é este, e tudo acontece na maior cara de pau mesmo. E, sério, a qualidade dos motoristas aqui consegue ser pior que a dos de São Paulo, vai por mim…