Existe em curso uma séria discussão sobre a imprensa e seu papel perante um processo eleitoral. É um assunto muito sério que envolve uma disputa de poderes seculares em âmbitos distintos, onde cada um deseja manter seu meio de poder. No Brasil, a chamada grande (ou velha) mídia claramente apoia os candidatos de direita, que grosseiramente falando são representados hoje por partidos como PSDB, DEM e facções do PMDB, fora vários outros dissipados em partidos menores. No passado, eles apoiaram a ditadura militar no Brasil, representaram os interesses dos coronéis, participaram da política do café com leite, estavam no senado imperial. Não me surpreenderia se ao voltar na árvore genealógica da história do Brasil, não se ache antepassados dos atuais dentre os donos das capitanias hereditárias (acho que já escrevi isto em outro post).
Regionalmente, é fácil perceber a relação de controle através do controle da mídia local em pleno século XXI: candidatos à reeleição ao Senado em seus estados, Agripino Maia (RN) e Tasso Jereissati (CE) e candidatos ao governo de seus estados, assim como Fernando Collor (AL) e Roseana Sarney (MA) são proprietários de emissoras de televisão (e em consequência outras mídias no pacote dos “grupos”) e as utilizam para levar alguma vantagem nas eleições. Ainda existem outros casos em que o candidato em questão é amigo de outro político que é dono de emissora de TV (5 minutos de pesquisa no Google bastam para se achar).
Seja desqualificando os adversários quanto enaltecendo a si próprios, esta é uma prática que perpetuou e ainda perpetua em muitos estados do Norte e Nordeste as mesmas famílias de políticos em várias e várias gerações no poder. Fica até difícil separar o público do privado, afinal em tempos mais antigos e extremamente menos fiscalizados, era muito mais fácil governar em causa própria e se auto-favorecer nos negócios (fazer a rodovia/ferrovia passar pela fazenda, por exemplo).
Celeiro da desigualdade social, nestes estados predomina a péssima distribuição de renda, focos crônicos de miséria, fome, analfabetismo, péssimas condições de segurança e saúde, e tantas características que o país gostaria de ver varridas da realidade.
Em âmbito nacional, grandes grupos (sabidamente Abril, Estadão, Globo e Folha de SP) atuam de forma dissimulada, fingindo que são imparciais, mas apoiando descaradamente seus candidatos com denúncias sem provas, como uma metralhadora que a todo o custo tenta manter “supostos escândalos” um após outro.
O mundo está mudando rapidamente com a internet (que também foi alvo de controle por sugestão da lei não aprovada de autoria do Senador do PSDB-MG Eduardo Azeredo, depois conhecida como AI-5 digital). Através da rede, existe uma liberdade maior das pessoas opinarem, colherem notícias diretamente de pessoas com credibilidade, que executam o dito bom jornalismo ou o jornalismo de isenção, ou ainda, que seja de menor partido em relação a um dos lados. Esta competitividade, aliada ao aumento de usuários de internet do país, fizeram – num prazo tão curto quanto a visão dos detentores da velha mídia – que o poder de manipulação que antes possuíam fosse extremamente limitado. Com competição e com a democracia da informação, é possível equilibrar essa queda de braço. As pessoas estão sendo cada vez mais capazes de perceber que não existe um lado certo e outro errado, mas cada vez mais entendem que existem interesses maiores ou menores, nocivos ou benignos, exclusivistas ou igualitários.







“As pessoas estão sendo cada vez mais capazes de perceber que não existe um lado certo e outro errado, mas cada vez mais entendem que existem interesses maiores ou menores, nocivos ou benignos, exclusivistas ou igualitários.”
Não foi isso que percebi no seu artigo, nele fica claro que o PSDB, DEM e facções do PMDB, a Abril, o Estadão, o Globo e a Folha de SP são o “lado errado”. Mas qual seria o “lado certo”?.
E o José Sarney, o Renan Calheiros, o Fernando Collor etc etc etc, que também apoiaram a ditadura, mas que hoje andam de mãos dadas com o atual governo do PT? Porque não os citou? Percebe o quanto a sua visão é parcial?
“Em âmbito nacional, grandes grupos (sabidamente Abril, Estadão, Globo e Folha de SP) atuam de forma dissimulada, fingindo que são imparciais, mas apoiando descaradamente seus candidatos com denúncias sem provas, como uma metralhadora que a todo o custo tenta manter “supostos escândalos” um após outro.”
Supostos escândalos!? Que é isso, rapaz! Veja quantos ministros caíram desde o início do governo por roubalheira, teriam caído se esses escândalos fossem falsos? Remova a venda!
“O mundo está mudando rapidamente com a internet…” o mundo não apenas está mudando, mudou! mas pelo que vi no seu texto, sua mentalidade ainda anda lá pelos anos 80/90.
Acho incrível essa lógica de direita e esquerda que muitos brasileiros ainda têm, isso não existe mais. Hoje temos quem está “por cima” (governo) e quem está “por baixo” (oposição). Devemos fiscalizar ambos, pois o que não falta nos dois lados são oportunistas, fiquemos de olho aberto.
Lembre-se: A sujeira do passado de um não limpa os erros presentes do outro. Corrupção, negociatas, conchavos etc etc etc, jamais! em tempo algum!
Você parece ser um cara inteligente, pense nessas minhas palavras de maneira imparcial e reflita. Veja que não defendo partido algum (nenhum merece). Acredito que concordará com as minhas palavras, a menos que esteja agarrado a alguma tetinha governamental. Sinceramente, espero que não.
Olá. Sandro
em primeiro lugar, agradeço pelo seu tempo em participar do blog e dar sua opinião. Eu sinto pelas suas palavras que fui mal interpretado. Não tenho nenhum envolvimento político, nem trabalho com nada relacionado a nenhum governo ou órgão ligado a ele. Note também que o contexto do momento em que escrevi não permitia falar nada sobre o governo Dilma, este post é de 1 ano atrás. Não sou um defensor ferrenho do governo atual. Embora tenha uma visão de que o Brasil tenha evoluído em muitos aspectos nestes últimos governos do PT (e aliados), é evidente que é vergonhoso observar o corporativismo que se passa entre os políticos, a forma como cada um quer seu pedaço do bolo e dane-se o povo.
Este post fala muito sobre o momento pré-eleição 2010, a tentantiva até desesperada dos veículos citados de tentar a qualquer custo criar factóides para interferir no resultado da eleição. Usei informações do passado recente desde os tempos de ditadora, que marcam o fortalecimento de políticos por trás de grandes grupos da comunicação.
Não existe uma verdade absoluta em nada. O Brasil só poderá evoluir quando houver uma democracia real, um sistema político transparente e ações que visem a justiça social, a diminuição das nossas históricas mazelas sociais em educação e saúde, e a transferência do crescimento da riqueza do país para a sua população. Embora este caminho em parte se observe, a velocidade é lenta demais para o momento histórico que passamos.
abraços.