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Archive for outubro \30\UTC 2008

Eu já falei por diversas vezes em aspectos econômicos que movem  a roda da economia mundial. Essa mesma que atravessa uma crise e já escoou pelo ralo alguns trilhões e fez aparecer magicamente alguns outros… para salvar os bancos e não as pessoas. Pois se fazer o mal e deixar morrer de fome cerca de 24.000 pessoas por dia (18.000 destas, crianças de até 1 ano de idade) não causa crise de consciência nem afeta aquela turminha que falei que cabe numa sala de reunião, o que falar do aquecimento global?

Pra mim, é a prova concreta de que a estreiteza de visão do todo não deixa sequer pensarem nos filhos e netos deles. Em verdade, nem eles mesmos em vida deixarão de sentir o que estão fazendo com o planeta. Apesar de constantes alertas em letras garrafais que o Painel intercontinental sobre mudanças climáticas (IPCC) formado por milhares de cientistas renomados em todo o mundo fazem acerca da necessidade de dimunuirmos JÁ a emissão de CO2, o movimento tem sido o contrário. São “crescimentoholics”, que não entenderam que os padrões atuais de crescimento demandariam alguns planetas Terra a mais, mas que só temos fragmentos de um disponível no estoque. E vivemos nele.

Neste ritmo, 45% das espécies vegetais amazônicas serão extintas até o final do século. Vale lembrar que lá existe um grande percentual de todas as espécies vegetais do planeta. Nossa agricultura, que hoje bate recordes atrás de recordes em colheitas, irá sucumbir em menos de 50 anos. No mundo já podemos sentir sintomas piores, com o Ártico se derretendo a uma velocidade espantosa e a elevação dos níveis dos oceanos começarem a dar seus primeiros sinais. É cedo pra relacionar que o aumento de fenômenos naturais como furacões tenham uma relação direta, mas… você colocaria a mão no fogo?
Pense em você mesmo com febre… Quantos graus a mais te fariam se sentir mal? O planeta, neste ritmo estará com 4 graus a mais até o fim do século, uma febre de 41,5 graus, cujo antitérmico demorará demais para fazer efeito se não começar a ser aplicado agora.
O plano do candidato americano Obama de injetar 15 bilhões em energias renováveis é um aceno tímido perto da necessidade real, mas é o único e é mesmo o sinal da mudança.
No Brasil, quarto maior emissor do planeta, o problema é o desmatamento da Amazônia, que sozinho responde com mais de 70% de nossas emissões. Rá, achamos quem vai acabar com nossa agricultura: mas não são os próprios agricultores?
A solução é dolorosa, pois vai contra a cultura implementada no mundo há muito tempo. Hora de pensar em sustentabilidade de uma forma séria, hora de pensar um pouco mais no outro do que já eventualmente pensamos, hora de cobrar da política e da educação uma mudança real na forma de se pensar. Não duvide, isso tudo ainda é possível, e o conhecimento é o menor caminho.

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Réquiem

Com sutileza, Akira Kurosawa em seu filme Sonhos, de 1990, retrata o contraponto de alguns temas que assustam todos nós: guerras, perigo nuclear, meio ambiente e… a morte.
Não existe meio termo: ninguém está preparado para entender, aceitar e tolerar a perda de alguém querido.
No último dos 8 episódios do filme, é possível ver um cortejo fúnebre que celebra numa grande festa de danças e música a morte de uma senhora que faleceu aos 99 anos. Um senhor de mais de 100 anos (que foi apaixonado por ela) explica que esta é a forma mais justa e digna de se despedir de alguém que viveu bem.
É uma lição e tanto a se aprender a transportar a quem não viveu tanto assim, a quem simplesmente a capacidade humana de compreensão das coisas entra em parafuso. Como a morte a alguém cheio de vida, cheio de assuntos não concluídos, tão jovem? O que podemos fazer frente a isso, senão olhar tudo de bom que a pessoa viveu? Os momentos felizes que você passou com ela? A certeza dela estar num lugar melhor e mais elevado que o nosso?
A falta inevitável será sempre o retrato de um mundo que prefere deixar as coisas difíceis mais afastadas. Retrato que nós mesmos tiramos, pois é humano ser assim. O tempo não vai curar, pois não há cura. O tempo fará vermos cada vez mais estes momentos bons e felizes. A dor é de cada um, e cada um aprenderá muito com quem trouxe tanto, com quem tinha tanto ainda a fazer, mas não pôde. Quando se é cheio de vida, de alegria e energia, isso tudo fica de presente aos que amam esta pessoa, que utilizarão e farão parte desta vida toda que ficou aqui – façamos por ela.

Eu hoje choro como poucas vezes na vida a uma perda irreparável, mas danço e canto a você que deixou uma explosão de alegria, de amor, de sinceridade, de benevolência e tantas lições lindas que sei que vou aprender, apenas não tive ainda a capacidade de enxergar. Assim farei da minha maneira parte daquilo que você não pôde.
Te amo, Dedeh, cada dia até o último dia da minha vida. E depois disso, Deus haverá de me colocar pertinho de você nesta sua vida melhor, e te amarei mais ainda.

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O fantástico mundo de BOB

Para os leitores que sempre aparecem por aqui, uma excelente notícia: o Tolerando está entre os 10 finalistas do The Best of Blogs (ou BOBs) 2008, na categoria melhor Blog em Português. Como o próprio texto do BOBs salienta, meu blog é jovem, e vi que meus concorrentes são talvez mais estabelecidos, mas preciso compartilhar a alegria que já é ter chegado até aqui (e eventualmente de não estar em último lugar na votação mesmo sem ter dito isso ainda pra ninguém).
Assim, quero pedir o voto de vocês que gostam do meu blog, e agradecer a todos que entram, dicutem, comentam, concordem ou discordem de mim. Estou mais animado que nunca e quero aproveitar esta oportunidade pra poder expressar mais o que acredito que as pessoas deveriam ouvir mais. Divulgue pra quem você gosta, se você gostar.

Para votar, entrem por aqui.

Para ver todos os concorrentes em língua portuguesa, por aqui.

Para ver o site todo do The Bobs, por aqui.

E vamo que vamo!   🙂

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A História nunca é o que realmente pensamos que foi. Aprendemos algumas coisas padronizadas como o descobrimento do Brasil, a assinatura da Lei Áurea, mas na prática sabemos que as coisas não foram realmente como foram. E tantas outras que são dúbias, que jamais saberemos o que de fato aconteceu. Alguém já disse que a história é escrita pelos que estão no poder. A parte boa é ver que a internet deu espaço à democratização da notícia. Os poderosos continuam lá, mas quem gosta de saber o a opinião das pessoas não precisa ler sempre das fontes oficiais.

A revista Veja há muito tempo deixou de ser uma revista jornalística para virar um panfleto de opiniões de extrema direita. Na edição especial de 40 anos, 5 minutos de folhear a revista deixou claro que a retrospectiva histórica é uma história que só interessa à Veja e a seus top 1 ou 2% da população abastada do país que a lêem. Eles se esqueceram que ao serem uma voz de opinião (e não de jornalismo), que não deveriam se meter a fazerem análises históricas, já que nunca falam sobre fatos.

Tudo o que se refere ao Lula diz que ele é um sapo barbudo, mas é engraçado ver como a Veja é obrigada a se dobrar pela popularidade dele, devem ranger os dentes de raiva por isso.
Ainda no campo político numa mesma página podemos ver em plena véspera de eleição o Gabeira (que disputa a prefeitura do Rio com grandes chances) é citado como um terrorista, e logo acima, vemos José Serra, atual governador de Sâo Paulo como “o persistente”, que tem como “sonho” ser o presidente do Brasil.. Ah, que lindo isso. Será que é o sonho só dele? (isso é “história”?)

Em tudo a Veja ressalta que o sistema socialista foi um atraso, um fracasso, e se propõe a elogiar o capitalismo como a salvação do mundo. Será mesmo? Esse buraco econômico mundial, o planeta se esgotando de recursos naturais e mais da metade da população passando necessidades é algo realmente justo e promissor ao mundo? Essa crise financeira que escoa pelos ralos trilhões de dólares que poderiam resolver grande parte das mazelas sociais talhadas no individualismo capitalista é mesmo justa?
Que tipo de atraso poderia ser pior ao mundo do que a manipulação da informação?

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Pronto, o show está de volta. Depois de alguns meses sem o espetáculo da cobertura do caso Nardoni, cá estamos com o caso Eloá/Lindemberg. As emissoras de TV e outros meios como a internet fazem de tudo para espremer informações. Entrevistas com cada parente distante ou especialista comportamental vale. Relacionar um suposto crime do pai da vítima, ou a vizinha achar que o assassino estava nervoso ultimamente também entram na conta.
Os repórteres abusam da falta de criatividade, daquelas do tipo perguntar pra uma pessoa chorando se ela está emocionada, sabe? Poxa, será que não existe nada mais que importa na nossa vida? Não tá claro que pra cada menina jogada pela janela e outra sequestrada e morta, existem pessoas que precisam da ajuda de cada um de nós para evitarmos que mais casos assim aconteçam? Não é questáo de endurecer o coração, não, eu me choquei também, mas vamos pensar no mal pontual e no mal que está aí no dia a dia, nas questões políticas, jurídicas e sociais e que facilitam estas atrocidades a acontecerem? As pessoas precisam de mais educação, e o jornalismo infelizmente poderia ter um papel muito importante no sentido de tornar as pessoas mais críticas a invés de jogar hipóteses e argumentos vazios no ventilador. Li hoje no Blue Bus uma opinião que realmente está coberta de razão: se tem um monte de gente dizendo como eu que não aguenta mais esta exaustão na cobertura do caso e a Globo afirma que a audiência aumentou justamente por isso, alguém não está falando a verdade…

Vai ver a própria cobertura fez o assassino ver tudo pela TV e se empolgar com a repercussão, não é? Todos erram  por algum lado, mas uma coisa é errar por falta de opção, outra é errar de propósito sabendo que o que importa é audiência.

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Se você não acredita no cristianismo, talvez não seja boa idéia ler este post (tem outros ótimos logo abaixo, quase nunca sobre este assunto). Vou tentar ser bem objetivo. O Natal tem uma conotação muito ligada à religião e ao nascimento de Jesus, que é comemorado neste período.
Minha mãe, que tem 63 anos, diz que quando ela era criança (anos 50) nem existia isto de presente de Natal. E que no dia de Reis (6 de janeiro) que eventualmente tinha algum tipo de troca de presentes, simbolizando, claro os presentes que os 3 reis magos deram a Jesus em seu nascimento.
Daí, resumindo, entramos num mundo muito mais consumista, a Coca-Cola adaptou o papai noel com roupas vermelhas e que distribuía presentes nas renas, e hoje o comércio acaba dependendo tanto disso que o Natal hoje em dia começa em… Outubro.

Sim, os sempre natalinos panetones estavam “religiosamente” lá desde primeiro de Outubro, e esta semana já vi os enfeites de árvores. É uma triste distorção do real sentido de uma celebração tão importante. As crianças mal sabem a razão de tudo aquilo… mas adoram!
Quando eu era criança, também gostava e também não entendia nada direito, mas ao menos o Natal começava em Dezembro…

Será que crescer é a única opção, ou é questão de sobrevivência?

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A crise que começou nos Estados Unidos começa a tomar maiores proporções pelo mundo afora: empresa de seguros fecha no Japão, governo brasileiro admite que as consequências podem ser sérias, Bush diz que os efeitos do pacote de 850 bi irão demorar (no mínimo para depois que ele sair do cargo este ano), economia européia injetando bilhões de dólares, pessoas perdendo 2 bilhões de dólares em apenas um dia, etc..
Vou escrever sobre algo que não conheço bem e de algo que conheço bem. Desde que o mundo é mundo, as pessoas vivem contrastes sociais terríveis, onde as figuras dominantes foram apenas se transformando. Num momento foram os reis, em outros foi a igreja, em outros foram os donos de terras, e hoje vivemos o domínio das grandes corporações. Os governantes do mundo todo são financiados pelas corporações e sempre protegem seus interesses.
A falta de uma regulamentação que limite aonde começa uma coisa e termina outra, associada à natural ganância humana está desencadeando isso tudo.
Os noticiários só falam disso, virou um novo caso Nardoni. Será que isso interessa da mesma forma a quase 200 milhões de brasileiros? Circulou pela internet uma interessante visão leiga e satírica da crise americana, vou apontar a referência pro blog do meu amigo Jorge, o escriba, que vale à pena ler, sobre o bar do Biu. Sinceramente, duvido que pra algum dos bêbados do bar do Biu isso tudo fará grandes diferenças. São pobres e continuarão pobres. Não perderão 2 bilhões num dia, continuarão pendurando a conta e no máximo o carnê de prestações em 24 vezes pra comprar um liquidificador vai ficar um pouco mais caro.
Será que não se tirou uma lição com a crise de 1929? Na minha leiga visão, será que pra uma empresa, não basta seguir o mercado mais básico, fabrica-se um produto ou serviço, coloca-se algo a mais e assim lucra-se? Por que a necessidade desta margem especulativa? O mundo precisa disso?
E economia parece seguir as leis da natureza: quanto mais o homem cometer exageros em prol do benefício de poucos, mais o planeta se defende sozinho.

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