Feeds:
Posts
Comentários

Archive for setembro \22\UTC 2010

A mídia e seu papel

mídia de mãos dadas com a "política"

Existe em curso uma séria discussão sobre a imprensa e seu papel perante um processo eleitoral. É um assunto muito sério que envolve uma disputa de poderes seculares em âmbitos distintos, onde cada um deseja manter seu meio de poder. No Brasil, a chamada grande (ou velha) mídia claramente apoia os candidatos de direita, que grosseiramente falando são representados hoje por partidos como PSDB, DEM e facções do PMDB, fora vários outros dissipados em partidos menores. No passado, eles apoiaram a ditadura militar no Brasil, representaram os interesses dos coronéis, participaram da política do café com leite, estavam no senado imperial. Não me surpreenderia se ao voltar na árvore genealógica da história do Brasil, não se ache antepassados dos atuais dentre os donos das capitanias hereditárias (acho que já escrevi isto em outro post).
Regionalmente, é fácil perceber a relação de controle através do controle da mídia local em pleno século XXI: candidatos à reeleição ao Senado em seus estados, Agripino Maia (RN) e Tasso Jereissati (CE) e candidatos ao governo de seus estados, assim como Fernando Collor (AL) e Roseana Sarney (MA) são proprietários de emissoras de televisão (e em consequência outras mídias no pacote dos “grupos”) e as utilizam para levar alguma vantagem nas eleições. Ainda existem outros casos em que o candidato em questão é amigo de outro político que é dono de emissora de TV (5 minutos de pesquisa no Google bastam para se achar).
Seja desqualificando os adversários quanto enaltecendo a si próprios, esta é uma prática que perpetuou e ainda perpetua em muitos estados do Norte e Nordeste as mesmas famílias de políticos em várias e várias gerações no poder. Fica até difícil separar o público do privado, afinal em tempos mais antigos e extremamente menos fiscalizados, era muito mais fácil governar em causa própria e se auto-favorecer nos negócios (fazer a rodovia/ferrovia passar pela fazenda, por exemplo).
Celeiro da desigualdade social, nestes estados predomina a péssima distribuição de renda, focos crônicos de miséria, fome, analfabetismo, péssimas condições de segurança e saúde, e tantas características que o país gostaria de ver varridas da realidade.

...em várias épocas...

Em âmbito nacional, grandes grupos (sabidamente Abril, Estadão, Globo e Folha de SP) atuam de forma dissimulada, fingindo que são imparciais, mas apoiando descaradamente seus candidatos com denúncias sem provas, como uma metralhadora que a todo o custo tenta manter “supostos escândalos” um após outro.

O mundo está mudando rapidamente com a internet (que também foi alvo de controle por sugestão da lei não aprovada de autoria do Senador do PSDB-MG Eduardo Azeredo, depois conhecida como AI-5 digital). Através da rede, existe uma liberdade maior das pessoas opinarem, colherem notícias diretamente de pessoas com credibilidade, que executam o dito bom jornalismo ou o jornalismo de isenção, ou ainda, que seja de menor partido em relação a um dos lados. Esta competitividade, aliada ao aumento de usuários de internet do país, fizeram – num prazo tão curto quanto a visão dos detentores da velha mídia – que o poder de manipulação que antes possuíam fosse extremamente limitado. Com competição e com a democracia da informação, é possível equilibrar essa queda de braço. As pessoas estão sendo cada vez mais capazes de perceber que não existe um lado certo e outro errado, mas cada vez mais entendem que existem interesses maiores ou menores, nocivos ou benignos, exclusivistas ou igualitários.

Read Full Post »