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Posts Tagged ‘educacao’

Comida S/A

food-incEmbora uma data como a de hoje do “Dia mundial da alimentação” deva passar em branco pra grande maioria das pessoas, eu recomendo que você gaste um tempinho lendo isso.

Assisti ontem um documentário chamado Food, Inc., do diretor Robert Kenner e co-produzido por Eric Schlosser (de Nação Fast Food).

A proposta do documentário vai na linha do que costumo defender por aqui, e começa com uma pergunta: “O
quanto realmente sabemos sobre a comida que compramos nos supermercados e servimos às nossas famílias?”
Com uma intrigante afirmação de que a forma como nos alimentamos mudou mais nos últimos 50 anos que nos anteriores 10.000, o filme mostra como a imagem ‘natural’ que os rótulos pregam escondem por trás uma grande cadeia industrial de linha de produção que busca o superbarateamento dos produtos em detrimento da saúde das pessoas (ao ponto de um hambúrguer custar menos que um brócolis). Estações não existem mais, e todo dia é época de todas as frutas e verduras. De fato, ‘esta indústria não quer que você saiba a verdade sobre o que você está comendo, porque se você soubesse, não iria querer comer mais.’

A forma como os animais são cultivados, alimentados e processados para chegar em embalagens bonitinhas ultrapassa a crueldade com os próprios animais, com os trabalhadores desta área e principalmente com nossa própria saúde. Mais triste ainda é saber que algumas poucas empresas controlam a forma como estas coisas ocorrem e ditam regras aos agricultores e criadores.

Eu quase publiquei aqui uma matéria sobre Michele Obama e seu exemplo de agricultura orgânica na Casa Branca. Fiquei meio chocado ao ver depois uma matéria com uma carta de uma tal de uma associação MACA (leia-se Monsanto, Dow, DuPont e outras gigantes do transgênicos), meio que demarcando território da dita agricultura convencional versus a orgânica.
É evidente que a discussão pode ir muito além se entrarmos em outros produtos químicos utilizados nos alimentos (corantes, adoçantes sintéticos), no açúcar, sódio, gorduras trans, sal, tudo numa quantidade absolutamente desequilibrada para nosso organismo.

Vamos diminuir a quantidade de produtos industrializados e buscar algo mais orgânico, nem que seja um mínimo? Precisamos cobrar cada vez mais de políticos que as empresas rotulem tudo o que contém dentro de uma embalagem, para termos o poder de evitar aquilo que não faz bem.

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Todos boquiabertos com o Brasil!    (Chicago Tribune / Brian Cassella / 02/10/2009)

Todos boquiabertos com o Brasil! (Chicago Tribune / Brian Cassella / 02/10/2009)

O Brasil está mesmo com tudo. Temos uma das maiores reservas de petróleo no mundo no pré-sal, temos uma Copa do Mundo em 2014 e uma Olimpíada em 2016. Uma primeira olimpíada em terras tropicais. Aliado ao momento econômico que passamos, de superação de crise econômica, sem dívida externa, numa economia que parece incrivelmente blindada e inabalável, chega a gerar uma expectativa extremamente positiva a quem vive aqui.
O brasileiro é esperançoso por natureza. Tira leite da pedra, sente alegria mesmo com um monte de tristeza à sua volta.
Temos um futuro muito próspero pela frente, entretanto temos um problema muito sério a ser enfrentado: a confiança de que tudo isto (e se pensar em tudo isto acima, isto se traduz num montante em bilhões de dólares que jamais o país sonhou em ter) seja administrado por pessoas que realmente queiram e saibam como traduzir o desenvolvimento em justiça social. Somos um país machucado pela própria história, e a marca da desigualdade social, que está pela primeira vez timidamente diminuindo, está em toda a parte.
Está na falta de saneamento básico nas cidades, nos baixos níveis de alfabetização, na educação básica ruim e desacreditada, na fome, na violência, na insegurança, na falta de políticas públicas que melhorem nosso meio ambiente, na falta de regras claras para que os consumidores sejam atendidos decentemente, na inexistência de regras que façam que empresas alimentícias produzam alimentos de qualidade, ou que nossa agricultura use menos agrotóxicos. A desigualdade está, ainda, na produção desenfreada de gado que desmata nossa amazônia, na falta de justiça da nossa Justiça, nas populações que vivem do mangue mas acabam tendo que buscar algo diferente, pois este é esgotado por criações de carcinicultura. Está no transporte público ruim, na falta de uma política que planeje o crescimento do país de forma igualitária, está na falta de combate ao tráfico de drogas por uma polícia facilmente corruptível pelas fortunas dos traficantes. Está nas grandes propriedades de políticos que possuem pedaço de terra do tamanho do estado do Sergipe e nada produzem, está na falta de água potável para as pessoas beberem, no país que mais a possui em todo o mundo.
O desafio, palavra tão falada ultimamente, na verdade, é este: converter dinheiro em benefícios. Temos o potencial de sermos os melhores em praticamente tudo que se sonha de bom para o mundo.
Pessoas bem intencionadas na política são um bom começo, mas é muito claro ver que o que puxa tudo isso se resume numa só palavra: educação.

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Opostos que se repelem

nolimiteNão sei se o pior foi o erro do participante do “No Limite” ou de quem publicou isso no site da Globo.com como se estivesse tudo certo. (não, eu não assisto o programa).

No meu tempo, o magnetismo funcionava assim: os pólos invertidos se atraem e os iguais se repelem, mas não foi bem o caso do que quis dizer a pessoa nesta matéria. Tales de Mileto deve ter se contorcido nessa.

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Ele passaria no exame

Ele passaria no exame

Tem coisas na vida que o acaso nos faz ficar distantes da reflexão. Minha relação com a carteira de habilitação certamente foi uma delas… até hoje.
Já desde criança, e até hoje, eu ouço que as pessoas (muitas delas) compram a habilitação. Infelizmente isso chega a ser motivo de orgulho de quem faz. Só se esquecem que ao alimentar essa atitude, estamos armando o trânsito louco com pessoas completamente incapacitadas, e temo em tentar supor quantas pessoas já não morreram por aí apenas devido à imperícia de condutores mal-habilitados.
Ao tirar minha carteira com 18 anos em São Paulo, em setembro de 88, eu fiz parte de um eclipse daqueles que ocorrem uma vez a cada 100 anos:

1) por um brevíssimo período, o exame prático da época não tinha, sei lá por qual razão, o temido ‘teste de baliza'(*).
2) sem pedir nada, minha habilitação veio como categoria C, o que me habilita a dirigir veículos como ônibus e caminhões até uma determinada carga, sem jamais ter treinado pra isso (**).
3) Na época a renovação não era de 5 em 5 anos, mas a primeira vez se daria apenas quando a pessoa completasse entre 39 e 40 anos de idade (***)

(*) Por conta própria eu treinei exaustivamente na semana seguinte baliza com meus amigos, e ao menos disso ficou uma boa habilidade em estacionar um carro em vagas apertadas.

(**) Aprendi depois e tive a oportunidade de colocar em prática em raras ocasiões.

(***) Que era o meu caso, nesta primeira renovação de hoje, mais de 20 anos após tirar minha habilitação.

Pois bem, ao fazer parte hoje deste processo de renovação, em Fortaleza, tive que fazer uma prova em forma de testes sobre direção defensiva e pronto socorro, o que sempre achei legítimo quando ouvi falar que havia sido instaurado. (não existia na minha época, lembram?)
O fato é que a prova é um desafio pífio à inteligência humana, com questões altamente básicas e mal formuladas, que fizeram com que eu saísse do DETRAN com muito mais medo dos motoristas que circulam por aí do que eu tinha antes.
Vou citar apenas um exemplo, algo como:

Ao dirigir, você deve concentrar a sua atenção:

a) apenas para a frente
b) para a frente e para a direita
c) apenas para a esquerda
d) em todas as direções

… pra não citar coisas que desafiam o bom senso e jamais a lógica. Acertei as 30 questões, mas será que quem errou 5 ou 6 (nota de corte é 21) tem mesmo condições de enfrentar esse mundão aí fora?
Alô Brasil, será que é só aqui que este teste é assim ‘pra cumprir tabela’?

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Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara

Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara

O Deputado Edmar Moreira, que gosta de frisar sua origem humilde, mas hoje é dono de um castelo não declarado no imposto de renda, hoje deu uma tirada digna de sua majestade.

Ao ser questionado pelo uso de verbas indenizatórias e ter apresentado notas de uma empresa de sua propriedade, sendo que ele mesmo é o único cliente de sua empresa, ele soltou a pérola:

“Qual a ilegalidade de uma empresa não ter clientes na atualidade e passar por dificuldades financeiras?”

Merece um Oscar.

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Não, obrigado! :)

Num mercado competitivo do comércio, as empresas investem em ambientes aconchegantes, comidas diferenciadas, confortos… pra chegar alguém e estragar tudo! Estive na padaria Plaza em Fortaleza um dia destes, conversando com um amigo sobre trabalho. Estávamos ambos de notebook, e resolvemos trocar umas figuras, mostrar alguns trabalhos, conectar à internet, etc..
Assim, sentamos numa mesa próxima a uma tomada e começamos a usar, enquanto consumíamos um café. Após cerca de uma hora de conversa, um responsável (?) pelo estabelecimento veio indignado dizer que não era certo, que estávamos montando um escritório lá dentro. Que não nos tiraria de lá à força (puxa, que consideração), mas que deveríamos repensar a atitude.
Ora essa… num mundo que preza por manter os clientes lá por mais tempo para consumir (a esposa de meu amigo chegou depois e almoçava enquanto ele reclamou), este senhor parece ter parado no tempo.  Ela inclusive tentou dizer que estava conosco(estava na mesa ao lado), mas foi rapidamente excluída da conversa com um “o meu assunto é aqui com eles”.
Não disseram pra ele que os locais de hoje em dia até oferecem internet de graça para atrair pessoas como eu e meu amigo. Então.. se você quer o “Melhor atendimento da cidade” como diz o slogan desta padaria em Fortaleza, pense duas vezes antes de passar pela avenida Santos Dumont, 5570  e fuja da Plaza Pães Especiais.

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Essa recente publicação do escândalo dos diretores do Senado é o típico caso onde apenas a opinião pública se revoltando traz algum resultado efetivo. É evidente que todos os senadores (que afinal nem são tantos assim) sabem de alguma forma deste procedimento duvidoso. Na pior das hipóteses, os últimos 10 presidentes do senado devem ter sabido.

O resumo da história é que foi descoberto que existem 181 cargos de diretoria (das mais inúteis que possa se imaginar, e diretores sem subordinado algum) para apenas 81 senadores. Foi isso cair na imprensa, que rapidamente gerou a revolta popular e a atitude do presidente do Senado José Sarney fazer a tal “faxina” da exoneração de cargos e ver ele e os demais senadores fazerem cara de perplexos ou de paisagem sobre o assunto, já que eles mesmos criaram estes cargos. Tantos outros absurdos que devem correr e nem sonhamos…

Vontade de criar uma campanha do tipo “não reeleja seu senador em 2010” (só esta omissão já não seria motivo?). Aliás, pra quem não sabe, cada estado possui 3 senadores eleitos para 8 anos de mandato. A cada eleição é feita a substituição ou de um terço ou de dois terços deles, alternadamente. E essa eleição do ano que vem é a dos dois terços. Assim é uma grande chance de tentarmos revitalizar o senado com sangue novo. Ainda que não deva melhorar muito, muitas vezes por falta de opções, é bom partir deste pressuposto que a grande maioria de quem está lá não faz o que deveria fazer para minimamente moralizar o espaço que ocupam. É importante demais este voto, e infelizmente a maior parte dos eleitores sequer sabe  o que um senador faz e o poder que tem.

Pense no Senado como um colégio novo onde os alunos estão ingressando. Os antigos alunos já sabem todos os atalhos, todos os vícios, as melhores formas de burlare influenciam mal aqueles que chegam. A renovação é um caminho bem legal pra tentar mudar velhos e excusos hábitos. Vamos exonerar – nós eleitores – estes outros 81 cargos tão mal representados!

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