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Posts Tagged ‘jornalismo’

A revista Veja – não é novidade – há muito tempo assume uma postura de fazer de cada notícia uma bandeira de seus interesses políticos. É hoje claramente, escancaradamente, um panfleto que critica o governo do PT e tenta apoiar grupos de extrema direita (que, em parte, explicam a própria história da revista) . Pra quem acha perseguição, aqui está uma comparação de capas recentes que foi espalhada pelo twitter e resolvi registrar aqui.

Comparem os dois pesos e duas medidas usadas nas matérias sobre as chuvas trágicas sobre SP e RJ (claro, referindo-se  a um suposto escândalo da prefeitura de Niterói, do PDT). Acho que a Veja tenta usar muito a ideia de que o brasileiro tem memória curta, mas não é tão curta assim também, certo?

Em São Paulo, raro fenômeno da natureza...

...e no Rio, claro, um "esquema".

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Eu entendo a comoção social com o desaparecimento do avião da Air France, e consigo até mesmo compreender a tristeza de familiares e amigos.

O que não consigo entender é a chamada do Jornal Hoje, dedicada apenas à exposição gratuita exatamente disto. Disse a Sandra Annenberg:

No próximo bloco: acompanhe o drama dos familiares dos passageiros do vôo 447 nos aeroportos do Rio e de Paris.

Por que isso? Alguém me corrija se eu estiver errado, mas até onde vai o jornalismo e até onde começa o sensacionalismo? Pior foi ver que realmente só o que mostrou foi o desespero das pessoas.

Some-se a isso estes demais casos do Observatório da Imprensa, pescado do sempre antenado twitter do Jorge, o Escriba.

A Sandra? O sobrenome dela deveria ser Cronenberg.

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Talvez seja uma daquelas coincidências temporais.
Qualquer tipo de censura pertence a um mundo de extrema restrição de liberdade humana. Em tempos de internet, era de se esperar que as profundas transformações sociais que a circulação de informações proporciona tivessem influenciado de forma positiva os lugares onde a censura ainda existe. Ledo engano.

Hoje, a China impôs restrições à utilização do Twitter, Hotmail, Windows Live e do Flickr, bem às vésperas (em 2 dias) dos 20 anos do episódio dos confrontos na Praça da Paz Celestial, um dos marcos de uma tentativa da população chinesa de lutar por um país mais livre.

Há apenas 4 dias, Cuba também foi alvo de um bloqueio dos serviços do MSN, o Messenger da Microsoft. Segundo a empresa, seguem uma restrição do Governo dos EUA. Claro, sem perder a chance de dizer que o Google, em parte de seus serviços, possui a mesma restrição.

Sonhamos com um mundo mais justo. Censura, fome, desigualdade social, riqueza de poucos e pobreza de muitos são pedaços de um quebra-cabeça maior regido pelo poder e pela falta de visão de que somos, afinal de contas, todos iguais.

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pig

Será que tudo começou assim?

É triste a banalização dos fatos, pois tira a sensibilidade das pessoas quanto a um problema. Tudo o que se fala na mídia nestes dias tem que ter a gripe suína ou ‘gripe A’, para dar uma turbinada no telejornal. Um escandaloso sensacionalismo que – guardada a importância real de um fato de risco iminente – virou farofa: gente usando máscara antes de ter sequer um único caso registrado (até a Suzana Vieira apareceu de máscara).

Os repórteres parecem desejar demais que apareça um primeiro caso por aqui. Ficam rodeando essa meia dúzia de gato pingado com suspeita e não olham em torno do pescoço.

Será que ninguém se lembra mais da dengue? Que existem milhares de pessoas morrendo e centenas de milhares sendo contaminadas em todo o país? São mais de sete mil casos por semana registrados. Não estaria na hora de demandar um esforço maior para algo real e que… er… já está aí em toda a parte, há vários anos?

Algumas fotos do pânico da gripe suína:

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bushsapato

Poderia ser mais claro?
Neste jogo do poder, os poderosos também são reféns da própria globalização que criaram e na relação com a mídia.
Um gesto como o de atirar os próprios sapatos (e chamá-lo de “cão”) contra o quase-não-mais presidente americano George W. Bush é para mim um símbolo fidedigno daquilo que representa ao mundo estes 8 anos de atraso no desenvolvimento de um mundo melhor. Este trator que passou por cima dos ideais de vários povos, envio aos horrores da guerra milhares de pessoas, milhares de civis mortos (uma situação talvez pior que a anterior), falta de transparência sobre como o país é administrado economicamente, dados sobre a reconstrução do Iraque maquiados pela Pentágono, licitações duvidosas na administração do petróleo, crimes horrendos de guerra com tortura sexual, religiosa e tantas outras. Eu tentei me limitar ao Iraque, mas nem preciso dizer que esta crise econômica tem fruto nestas e em várias outras atrocidades em nome da manutenção do poder e da economia de pouquíssimos.

No que foi chamada de uma quarta visita “surpresa” ao Iraque (como se ele visitasse em outras circunstâncias), amado que é por lá, Bush tenta apagar algumas recentes declarações de que a inteligência americana errou. A resposta veio aos sapatos.
O sapato na foto foi por minha conta, não é da foto original da AFP.

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A História nunca é o que realmente pensamos que foi. Aprendemos algumas coisas padronizadas como o descobrimento do Brasil, a assinatura da Lei Áurea, mas na prática sabemos que as coisas não foram realmente como foram. E tantas outras que são dúbias, que jamais saberemos o que de fato aconteceu. Alguém já disse que a história é escrita pelos que estão no poder. A parte boa é ver que a internet deu espaço à democratização da notícia. Os poderosos continuam lá, mas quem gosta de saber o a opinião das pessoas não precisa ler sempre das fontes oficiais.

A revista Veja há muito tempo deixou de ser uma revista jornalística para virar um panfleto de opiniões de extrema direita. Na edição especial de 40 anos, 5 minutos de folhear a revista deixou claro que a retrospectiva histórica é uma história que só interessa à Veja e a seus top 1 ou 2% da população abastada do país que a lêem. Eles se esqueceram que ao serem uma voz de opinião (e não de jornalismo), que não deveriam se meter a fazerem análises históricas, já que nunca falam sobre fatos.

Tudo o que se refere ao Lula diz que ele é um sapo barbudo, mas é engraçado ver como a Veja é obrigada a se dobrar pela popularidade dele, devem ranger os dentes de raiva por isso.
Ainda no campo político numa mesma página podemos ver em plena véspera de eleição o Gabeira (que disputa a prefeitura do Rio com grandes chances) é citado como um terrorista, e logo acima, vemos José Serra, atual governador de Sâo Paulo como “o persistente”, que tem como “sonho” ser o presidente do Brasil.. Ah, que lindo isso. Será que é o sonho só dele? (isso é “história”?)

Em tudo a Veja ressalta que o sistema socialista foi um atraso, um fracasso, e se propõe a elogiar o capitalismo como a salvação do mundo. Será mesmo? Esse buraco econômico mundial, o planeta se esgotando de recursos naturais e mais da metade da população passando necessidades é algo realmente justo e promissor ao mundo? Essa crise financeira que escoa pelos ralos trilhões de dólares que poderiam resolver grande parte das mazelas sociais talhadas no individualismo capitalista é mesmo justa?
Que tipo de atraso poderia ser pior ao mundo do que a manipulação da informação?

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Pronto, o show está de volta. Depois de alguns meses sem o espetáculo da cobertura do caso Nardoni, cá estamos com o caso Eloá/Lindemberg. As emissoras de TV e outros meios como a internet fazem de tudo para espremer informações. Entrevistas com cada parente distante ou especialista comportamental vale. Relacionar um suposto crime do pai da vítima, ou a vizinha achar que o assassino estava nervoso ultimamente também entram na conta.
Os repórteres abusam da falta de criatividade, daquelas do tipo perguntar pra uma pessoa chorando se ela está emocionada, sabe? Poxa, será que não existe nada mais que importa na nossa vida? Não tá claro que pra cada menina jogada pela janela e outra sequestrada e morta, existem pessoas que precisam da ajuda de cada um de nós para evitarmos que mais casos assim aconteçam? Não é questáo de endurecer o coração, não, eu me choquei também, mas vamos pensar no mal pontual e no mal que está aí no dia a dia, nas questões políticas, jurídicas e sociais e que facilitam estas atrocidades a acontecerem? As pessoas precisam de mais educação, e o jornalismo infelizmente poderia ter um papel muito importante no sentido de tornar as pessoas mais críticas a invés de jogar hipóteses e argumentos vazios no ventilador. Li hoje no Blue Bus uma opinião que realmente está coberta de razão: se tem um monte de gente dizendo como eu que não aguenta mais esta exaustão na cobertura do caso e a Globo afirma que a audiência aumentou justamente por isso, alguém não está falando a verdade…

Vai ver a própria cobertura fez o assassino ver tudo pela TV e se empolgar com a repercussão, não é? Todos erram  por algum lado, mas uma coisa é errar por falta de opção, outra é errar de propósito sabendo que o que importa é audiência.

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Já faz um bom tempo que tenho grande desprezo pelo o que a Revista Veja publica. Tornou-se, com o tempo, uma revista tendenciosa e manipuladora de informações, sendo bem aceita por parte da classe média-alta das grandes cidades, com um viés político de extrema direita. Tem perdido sistematicamente o número de assinantes por ter se tornado tão claramente um veículo que não divulga notícias, mas opiniões.

Estou neste post seguindo outros blogs para dar voz a uma destas respostas, por se tratar de um tema de Educação que muito me interessa, sobre o educador Paulo Freire. Os blogs aos quais me refiro são o Conversa Afiada e o Uma Visão do Mundo. Esta carta que se segue sequer foi enviada à revista, por ter sido considerado que a chance de publicação seria praticamente nula.

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem “O que estão ensinando a ele?”, de autoria de Mônica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado“.

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

“Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE — e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico.  Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire”.

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Este post é uma questão muito contraditória.

Adoro o planeta onde vivo. Ter trabalhado no Greenpeace por 2 anos me ajudou muito a despertar esta consciência, ter vivido um pouco da realidade de grandes problemas que passam despercebidos por grande parte dos humanos e compreendido um pouco melhor esta grande máquina sócio-político-econômica que silenciosamente assola a nossa vida.

Felizmente o problema de excesso de consumo de papel é algo que um cidadão comum não precisa do Greenpeace pra saber que é sério e que acaba com árvores, senão florestas. Assim, com certa naturalidade eu assumi uma postura de evitar pegar folhetos destes de propaganda que empresas especializadas distribuem pelos sinais do trânsito das grandes cidades. Vivia com o carro entupido de papel e de repente achei que eu ajudava a proliferar aquilo. Se todos, afinal, pensassem como eu, ninguém pegavria, e as empresas teriam que pensar em algo diferente. Perfeito não é? Essa coisa de jogar o papelzinho de bala no lixo ou colocar no bolso mesmo se o chão estiver uma catástrofe de sujo, fazendo a sua parte. Eu consigo ver uma beleza própria neste tipo de atitude, que é a minha cara.

Mas daí vem o outro lado da moeda, do coração mole e da cega resolução do problema imediato. Se eu e todos fizerem isso, de certa forma implicaria na perda de emprego de um batalhão de pessoas que vivem sob duras penas disso, não é? E aí? Isso me lembra aquela história das milhares de estrelas do mar presas na areia e o homem atirando uma a uma de volta pra água, para que não morressem ao sol. Ao ser questionado sobre ser impossível salvar todas e que diferença faria, ele responde – atirando a que estava na mão – que para aquela estará fazendo toda a diferença.

O desfecho é que hoje eu pego (novamente) todas as propagandas nos sinais. É jogar um balde de água contra um incêndio eu sei, mas eu me sinto bem assim. Tomando minhas precauções com a possibilidade de assalto (e se você não pensa nisso trate de pensar, pois eles acontecem sim), eu cedi pelo lado imediatista que é nem um pouco ecológico.  E você, o que faz?

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