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Posts Tagged ‘preconceito’

Talvez seja uma daquelas coincidências temporais.
Qualquer tipo de censura pertence a um mundo de extrema restrição de liberdade humana. Em tempos de internet, era de se esperar que as profundas transformações sociais que a circulação de informações proporciona tivessem influenciado de forma positiva os lugares onde a censura ainda existe. Ledo engano.

Hoje, a China impôs restrições à utilização do Twitter, Hotmail, Windows Live e do Flickr, bem às vésperas (em 2 dias) dos 20 anos do episódio dos confrontos na Praça da Paz Celestial, um dos marcos de uma tentativa da população chinesa de lutar por um país mais livre.

Há apenas 4 dias, Cuba também foi alvo de um bloqueio dos serviços do MSN, o Messenger da Microsoft. Segundo a empresa, seguem uma restrição do Governo dos EUA. Claro, sem perder a chance de dizer que o Google, em parte de seus serviços, possui a mesma restrição.

Sonhamos com um mundo mais justo. Censura, fome, desigualdade social, riqueza de poucos e pobreza de muitos são pedaços de um quebra-cabeça maior regido pelo poder e pela falta de visão de que somos, afinal de contas, todos iguais.

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Não, obrigado! :)

Num mercado competitivo do comércio, as empresas investem em ambientes aconchegantes, comidas diferenciadas, confortos… pra chegar alguém e estragar tudo! Estive na padaria Plaza em Fortaleza um dia destes, conversando com um amigo sobre trabalho. Estávamos ambos de notebook, e resolvemos trocar umas figuras, mostrar alguns trabalhos, conectar à internet, etc..
Assim, sentamos numa mesa próxima a uma tomada e começamos a usar, enquanto consumíamos um café. Após cerca de uma hora de conversa, um responsável (?) pelo estabelecimento veio indignado dizer que não era certo, que estávamos montando um escritório lá dentro. Que não nos tiraria de lá à força (puxa, que consideração), mas que deveríamos repensar a atitude.
Ora essa… num mundo que preza por manter os clientes lá por mais tempo para consumir (a esposa de meu amigo chegou depois e almoçava enquanto ele reclamou), este senhor parece ter parado no tempo.  Ela inclusive tentou dizer que estava conosco(estava na mesa ao lado), mas foi rapidamente excluída da conversa com um “o meu assunto é aqui com eles”.
Não disseram pra ele que os locais de hoje em dia até oferecem internet de graça para atrair pessoas como eu e meu amigo. Então.. se você quer o “Melhor atendimento da cidade” como diz o slogan desta padaria em Fortaleza, pense duas vezes antes de passar pela avenida Santos Dumont, 5570  e fuja da Plaza Pães Especiais.

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Ex-cravidão?

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A escravidão existe há muito tempo. Certamente começou na estúpida idéia de dominador e dominado. Assim, reis e imperadores do passado submetiam os povos conquistados ao trabalho forçado. Quando chegou ao Brasil no século XVI, já era prática sacramentada em diversos outros países que “colonizavam” o mundo. Apesar de importantes passos terem sido dados a partir do século XIX para o fim da escravidão, isto não só foi feito de forma insustentável socialmente (o que gerou grandes focos de preconceito e racismo que perduram até os dias de hoje), como de fato, mais de um século depois, a prática ainda não cessou. No Brasil, segundo relatório publicado recentemente pela ONU, foram registrados quase 22 mil casos nos últimos 5 anos (claro, sem falar do possível número muito maior de casos não registrados). Isso mesmo, em pleno século XXI.

A maior parte destes casos se estendem em duas frentes principais:

1) a da prostituição e tráfico de pessoas, muito comum entre grupos europeus que fazem negociação com traficantes no Brasil, principalmente de mulheres. Embora esteja em número crescente, vez por outra alguma notícia boa aparece sobre o assunto. O triste desta modalidade é que muitas vezes é explorado o sonho das pessoas de uma vida melhor e a realidade acaba sendo outra bem oposta.

2) a do trabalho rural. Quase sempre que ouço falar de escravidão em fazendas, sempre tem uma figura ligada ao governo relacionada. Deputados, senadores, juízes e vários da chamada “bancada ruralista” circulam normalmente por noticiários acerca de condições sub-humanas às quais seus trabalhadores são submetidos, muitas vezes disputando a água que bebem com o gado. É triste ver a impunidade e a facilidade que a responsabilidade acaba ficando com os “peixes menores”. Para quem produz suas próprias leis, fica muito fácil se safar deste absurdo de descaso com a vida humana.

É difícil distinguir se pessoas que praticam estas coisas são imorais ou amorais. A mentalidade vigente de cada um obter seu próprio sucesso em detrimento do fracasso de todos os outros (a.k.a. egoísmo) infelizmente tira a chance de um mundo pensado coletivamente. A globalização faz exatamente isso, mas apenas entre o mercado financeiro e industrial. As contrapartidas sociais continuam enaltecendo valores que são difíceis de se ver como parte de um “mundo melhor”. Desta forma, ao se deparar com violências desta magnitude, hoje em dia as pessoas nem se chocam tanto mais.

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obamavitoria

Time for a Change… e Obama será muito falado por muitos e muitos anos, entrará para a história, e provavelmente fará as pessoas terem cada vez mais asco de George W. Bush. Acredito, sim, que ele conseguirá frear esta crise econômica, que deve ser apenas uma ponta do iceberg de muita coisa nojenta que ainda jaz submersa. Poderá ser o marco do combate ao aquecimento global, ao uso em massa de energia limpa renovável, poderá dar um encaminhamento importante ao fim do uso da energia nuclear. Barack Obama poderá colocar no mundo uma ótica mais igualitária, ele mesmo sendo de uma minoria que em seu próprio país já foi segregada das piores formas possíveis. Sua origem africana poderá lançar um olhar sobre o combate à fome, bandeira levantada politicamente por Lula quando empossado em 2002.
A esperança pode sim vencer o medo, mas não podemos nunca tirar o foco sobre quem estamos falando: o povo americano. Obama levantou a bandeira de devolver ao seu povo o paradigmático “sonho americano”. Isto significa um padrão de consumo que o planeta não é capaz de bancar, significa uma cultura belicosa que sempre dá altos índices de popularidade a presidentes americanos que promovem guerras e significa, em última análise, a antítese de um mundo justo e igualitário. Que ele saiba dosar muito bem a forma de fazer as coisas, pois deste único homem pode depender o futuro da minha vida e da de vocês. Otimismo, que já estamos no lucro: nem McCain seria pior que George W. Bush, nem mesmo se Sarah Palin tivesse que assumir.


If it's gonna get better, it starts with a feeling
If it's gonna get better, it's gonna take time
If it's gonna get better, we've gotta start now
cos I know everybody can feel it
and I know everybody will see it
cos it shows, and that shows I'm not dreaming
cos you know, I know, it's time for a change

Genesis - 1983

Dri, seleção de foto perfeita, obrigado!

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Dizem que de religião a gente não deveria discutir nunca, mas este aspecto tenho certeza que é interesse de todos, seja qual religião siga, caso siga alguma.

Neste último final de semana aconteceu no Rio de Janeiro uma manifestação contra a intolerância religiosa com a participação de cerca de 10.000 pessoas e mais de 100 organizações.
No Brasil, que é considerado um dos países com maior diversidade religiosa do mundo, é fácil notar que existe algum grau de intolerância. Embora seja num grau brando, é notório que existam diversas situações onde isto se aplica.

As religiões de origem africana (umbanda candomblé as mais conhecidas, mas certamente devem haver dezenas ou centenas de outras com certa similaridade) são historicamente combatidas pelos segmentos mais tradicionais, que também guardam reservas contra os espíritas. O filme Bezerra de Menezes conta a história de um médico cearense que sofreu muito preconceito e foi “expurgado da família” por sua aproximação ao espiritismo, através de seu irmão que era católico.

As religiões evangélicas (ou protestantes), que basicamente são as doutrinas que seguem o cristianismo, porém romperam com o catolicismo, também são alvo de grande controvérsia. Existem grupos de origem mais antiga e muitos que surgiram há poucos anos. A grande controvérsia está em segmentos que realizam abusos na forma de captar recursos (dinheiro) e que possuem líderes de caráter duvidoso e que promoveram seu auto-enriquecimento.

Outros grupos em menor número também são perseguidos pela forma às vezes invasiva com a qual tentam converter seus novos seguidores ou lhes impor uma determinada doutrina de valores morais questionáveis.

Estes exemplos todos, que parecem nos colocar como um país com grandes problemas nesta área, acabam, na verdade, por revelar algumas excessões num país onde no geral a intolerância é baixa. Brasileiros, apesar de todas as diferenças, podem ser considerados com alto grau de respeito ao próximo, se comparados com outros países mais desenvolvidos.
Recentemente em sua última turnê, o U2 levantou a bandeira do COEXISTA, usando símbolos de 3 das maiores religiões do planeta, judeus, muçulmanos e católicos. As diferenças críticas entre estas religiões são causas de grandes guerras pelo mundo e da existência de diversos grupos terroristas, que lutam  com armas em nome de Deus (ou o nome que cada uma adote para Ele). Desta forma, caem numa tremenda contradição de “guerra santa”. Lembra a bruxa da Branca de Neve, que ao vê-la cair envenenada pela maçã fica repetindo que é a mais bela, esquecendo-se de sua aparência horrorosa.
Ainda estamos longe de um panorama destes, mas é preciso estar atento a um mundo que está se transformando muito rápido. A tolerância é sempre a melhor saída.
Minha opinião? Será possível que Deus, em toda sua bondade e amor por nós que somos Sua criação, deixaria de fora pessoas que não seguissem uma religião que fosse considerada “a certa”?
Recomendo a leitura de Joseph Campbel: “O Poder do Mito” e “As Máscaras de Deus”.

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Já faz um bom tempo que tenho grande desprezo pelo o que a Revista Veja publica. Tornou-se, com o tempo, uma revista tendenciosa e manipuladora de informações, sendo bem aceita por parte da classe média-alta das grandes cidades, com um viés político de extrema direita. Tem perdido sistematicamente o número de assinantes por ter se tornado tão claramente um veículo que não divulga notícias, mas opiniões.

Estou neste post seguindo outros blogs para dar voz a uma destas respostas, por se tratar de um tema de Educação que muito me interessa, sobre o educador Paulo Freire. Os blogs aos quais me refiro são o Conversa Afiada e o Uma Visão do Mundo. Esta carta que se segue sequer foi enviada à revista, por ter sido considerado que a chance de publicação seria praticamente nula.

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem “O que estão ensinando a ele?”, de autoria de Mônica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado“.

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

“Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE — e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico.  Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire”.

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Assisti, neste sábado, a uma parte da abertura dos Jogos Paraolímpicos. Esta cena da foto foi muito emocionante, próxima do momento do acendimento da pira olímpica, onde atletas com diferentes deficiências fizeram uma espécie de prova de revezamento (na foto um atleta com uma prótese na perna faz a passagem da tocha para uma atleta deficiente visual levada por um cão guia). Isso faz pensar o quanto o esporte é realmente superação, talvez aqui escancarada da forma mais ousada e real, despida ainda que timidamente do mundo bilionário dos esportes.
Apesar de os prognósticos e o histórico mostrarem que o desempenho do Brasil nas paraolimpíadas costumam ser superiores que os das olimpíadas (estamos em sétimo lugar ao fim deste terceiro dia da competição – alguém sabia disso?), a máquina que faz a roda girar em termos de transmissão (Globo) e anunciantes não parece muito bem azeitada.

Simplesmente uma cobertura baseada com chamadas em telejornais para citar que “o Brasil ganhou mais n medalhas” é o que temos. Ficamos sem as imagens, sem a possibilidade de torcida, sem sequer tomar muito conhecimento de quem são os atletas, de como é este mundo tão distante do conhecimento popular. Basta dizer que em três dias já ganhamos as mesmas 3 medalhas de ouro das olimpíadas todas (Cielo, Maggi, Voleibol feminino). Alguém supõe que estes atletas e os que ainda ganharão ouro chegarão aqui como heróis nacionais?
Tentei pesquisar sites de notícias de outros países, e vejo que não chega a ser um fato isolado no Brasil não. A cobertura perde incrivelmente força em todo o mundo.
Fica a impressão de um certo vazio, já que o sentido de promover tal tipo de competição recai em qualidade de vida, inclusão social e valores mais elevados de igualdade e ausência de preconceitos. Hoje, a ênfase do espírito paraolímpico já é muito mais a própria conquista dos resultados esportivos do que uma das seis deficiências que credenciam os atletas.
Idealizada no fim dos anos 40 como uma forma de trazer conforto aos mutilados pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, este tipo de competição só cresceu com o passar dos anos, e desde os Jogos de Seul, em 1988, os jogos são atrelados às Olimpíadas, tendo mesma sede e usando a mesma estrutura.
Num mundo onde as marcas estão aonde o povo está, ainda que com patrocinadores oficiais conhecidos, talvez falte ainda coragem para anunciantes e principalmente da mídia – que privilegia audiência em detrimento de qualidade – entenderem o espírito de enxergar o que não se vê, assim como fazem os atletas paraolímpicos.

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